Recomendação: Suzana Kraus
Por Fernando Veríssimo
Passei por duras provas para conseguir meu diploma na escola da
vida, mas para entender as mulheres preciso um estágio. Nesse
quesito, eu sou um entusiasta da filosofia gelol: "No basta ter
pau, tem que participar!!!" Por isso, aceitei o desafio de passar
um dia com um modess na cueca. A primeira menção do assunto modess
me causa uma vontade de gargalhar irracional. Pois eu resolvi que
já era hora de encarar esse trauma de forma mais íntima. O primeiro
passo foi comprar a pequena fralda na farmácia. Isso foi fácil. Na
verdade, foi até divertido. Fiquei torcendo pra mulher do caixa
perguntar, e eu responder de forma bem "casual": " pra sua
namorada???" "Não, pra mim!!!" Só que ninguém nem "tchuns", o que
prova que as meninas ficam constrangidas à toa. Na verdade,
menstruar é uma parada normal. Acontece nas melhores famílias.
Comprei um "não-sei-o-que" "mini". Não ligo pra grifes, ainda mais
de modess. Mas nesse caso, o que importava era o tamanho. E era
mini. Porque, se é pra eu fazer esse papel de usuário de
absorventes, pelo menos que eu não passe por arrombado. E a
diferença de bitola entre o mini e o super é significativa, o que
me fez pensar sobre como algumas mulheres são maiores que as
outras... bom. Comprei também um tablete Valda pra dar uma
dechavada básica e fui pra casa realizar o sacrifício que me
tornaria um membro da classe masculina mais compreensiva com o sexo
oposto. Chegando em casa, fui tentar abrir o pacote. Impulsivo por
natureza, o homem não se dá ao trabalho de procurar linhas
pontilhadas e, assim sendo, comecei abrindo errado. A abertura na
horizontal tem um porquê, se adapta melhor bolsa e deixa o
absorvente mais à mão no caso de uma enxurrada inesperada. Mas eu
ignorei, pois não uso bolsa. Ao retirar a peça do invólucro, você
tem que descolar uma abinha para grudar na roupa íntima. Se a
menstruação em si não lhe deixar "incomodada", essa almofada
intrusa no seu chakra genital com certeza vai. Calculei que o
centro do modess ficasse na altura da "terra de ninguém", de forma
que ele não invadisse o território peniano. O saco reclamou um
pouco, já que não se tratava de uma cueca duplex com teto solar. Um
pouco de paciência e um pequeno remanejamento espacial e tudo
estava resolvido. A primeira coisa que se pensa ao compor o modelo
usando absorventes externos : "Será que está marcando?". Por isso é
essencial que você faça tudo com a companhia de um aliado. Assim,
você vai poder contar com um correspondente nos países baixos, que
vai lhe avisar caso o modess cisme em querer se destacar na sua
bunda. Ao sair de casa, fingi que não tinha um objeto parasitário
ultrajando a minha intimidade. Mas parece que está piscando um
outdoor na sua testa avisando "estou de chico". E eu nem tava!!!
Que absurdo!! ... Até encontrar seu aliado (a), sempre bom dar uma
conferida nos reflexos que você encontrar pelo caminho, como
espelhos e vitrines, pra ver se está marcando. Foda-se a queda na
bolsa de Tóquio ou a reforma ministerial. O que importa é que
ninguém perceba que você está naqueles dias. E a preocupação é uma
constante. Não dá pra esquecer que seu fundilho está acolchoado. Ao
final de minha jornada, foi um alívio tirar o cuecão e zunir o
modess no lixo. Claro que eu tive o cuidado de dobrá-lo e
escondê-lo no canto do lixo, antes, envolvendo com muito papel
higiênico para que ninguém se deparasse com aquele objeto
indesejável depois do almoço. Daí eu entendi por que às vezes tem
um montinho de papel enrolado num canto da cestinha do banheiro.
Iuch! Se eu tivesse que usar isso a cada ciclo, ia ter uma crise
pré-menstrual que ia durar uns trinta dias por mês. E as mulheres
nem ganham adicional por insalubridade. VOCÊS SÃO HEROÍNAS... AMO,
ADORO VOCÊS... MULHERES MARAVILHOSAS! Agora dá para entender um
"pouco" essa tal de TPM!!!
Monólogo: longa fala ou discurso pronunciado por uma única pessoa ou enunciador. Composto pelos radicais gregos monos(um) + logos(palavra, ou idéia). É, ao contrário do diálogo, uma conversa consigo. Ele não se dirige direto a um ouvinte, mas sim a uma pessoa imaginária.
Sunday, August 13, 2006
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