Essa é a época do ano que passa aquela retrospectiva na minha cabeça. Acho que na de todo mundo. Como disse, melhor, escreveu Antonio Prata uma vez em uma de suas crônicas "fazendo uma média das topadas de dedinho no rodapé da parede com os primeiros goles de chop gelados, acho que sou feliz". Isso serve tanto pra minha vida também quanto pra esse ano. Foi um ano muito bom. Não, não foi só muito bom. "Bom" que adjetivo mais chucro. Foi inesperado, surpreendente, digamos assim. Várias coisas que eu pensava ou esperava acontecer não aconteceram, mas várias outras vieram sem eu saber e no final de tudo me deixaram muito feliz.
Acho que se for resumir tudo, o que eu mais aprendi nesses quase 365 dias que eu passei, foi a parar de idealizar um pouco não só sobre meu futuro, sobre o certas situações, mas principalmente sobre os outros. Eu sempre achei que todos eram lindos e adoráveis. Que estariam sempre ali pra ouvir, chamar, falar, escutar, ligar, se preocupar ou até dar uns tapas na cara qdo preciso. Não briguei com ninguém, não aconteceu nada de mais. Foram algumas sacadas que eu vim tendo. Relacionamentos em geral são muito difícieis. Relacionamentos em geral parecem que vão durar pra sempre, mas não duram, muito pelo contrário, podem acabar mais fácil do que se imagina. E pior que acabar é dar aquela esfriada, afastada. Aquela situação de que tá tudo bem mas não tá, na prática não tá.
Eu percebi que não dá pra se apegar tanto aos outros. Não dá pra sonhar "todo mundo é legal, todo mundo vive pra sempre, todo mundo vai estar aí pra sempre". Não vão estar. Relacionamentos hoje em dia são que nem a moda. Vão e vem. Hoje eu uso calça cintura baixa, lógico, meu Deus como eu pude usar calça cintura alta um dia? E assim acontece na vida das pessoas, e o pior de tudo, com as pessoas. Chega até ser engraçado como alguns tipos se comportam. Como se adaptam a nova vida. Como esquecem que existe telefone. Que as pessoas tem um número de telefone. Que a pessoa tem um. E que é só apertar uns botões pra você entrar em contato. Jogar conversa fora. Matar as saudades. Saber como vão as coisas. Sair um dia. Sair outro. Conhecer o amigo do amigo. Se apaixonar. Casar. Fazer carreira. Ter filho. Ou apenas ser feliz. Ser feliz por causa de uns botões. Será que o segredo da felicidade e dos relacionamentos perfeitos se encontra ali, do nosso lado,um aparelho aparentemente tão simples, neutro, sem graça talvez?
Não sei. Acho que já fui longe de mais. Aliás eu sempre vou longe de mais. Mas talvez isso me ajude. A ir sempre mais longe. Tentar seguir mais e mais longe com as pessoas. E crescer e ser feliz com isso.Ou não. Talvez esse seja meu problema. Talvez eu sempre queira ir longe de mais na vida e nos relacionamentos e as coisas são mais curtas. Mais breves e passageiras. Que pena!
Monólogo: longa fala ou discurso pronunciado por uma única pessoa ou enunciador. Composto pelos radicais gregos monos(um) + logos(palavra, ou idéia). É, ao contrário do diálogo, uma conversa consigo. Ele não se dirige direto a um ouvinte, mas sim a uma pessoa imaginária.
Friday, December 08, 2006
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